Cinco palavras que Trinca usa pra se descrever — e que resumem um jeito de trabalhar que nunca separou o ofício da rua da arte de ateliê.
Antes de qualquer mosaico, teve obra: telha, argamassa, revestimento, o dia a dia de quem constrói casas. Foi em Guarulhos, entre reformas e acabamentos, que Trinca aprendeu a olhar pra um caco de cerâmica quebrado e enxergar outra coisa — uma cor, um encaixe, uma imagem em potencial.
O que começou como aproveitamento de sobra de obra virou técnica, depois estilo, depois um ateliê inteiro dedicado ao mosaico autoral: pastilhas de vidro, porcelana, cerâmica esmaltada, tudo cortado e rejuntado à mão. Hoje a base é em São Paulo-SP, com ateliê dentro da FATEC SP.
Primeiras intervenções em espaço público: mesas e bancos revestidos de cerâmica para uma praça de Guarulhos — o mosaico sai do ateliê e vira mobiliário urbano.
Fase de estudos: dezenas de quadros pequenos em cerâmica sobre MDF, mandalas, rosas dos ventos e os primeiros retratos por encomenda.
Os vasos escultóricos em arame e argamassa entram no repertório, ao lado de murais maiores — incluindo um piso de 5,20m em pastilhas de vidro. Também é o ano da Santa Rita de Cássia e da mesa "sol", inspirada em Gaudí.
Arte sacra (São Francisco de Assis), o retrato do Kobe Bryant e mandalas de grande formato.
O retrato do Renato Russo, o mural do vulcão, o Ipê Amarelo de 5 mil peças e os primeiros troféus para campeonatos de skate.
O maior desafio até aqui: um mural de barco a vela com cerca de 30 mil peças — e a mudança do ateliê para dentro da FATEC-SP, em São Paulo, onde toca também a oficina livre de mosaico para novos artistas.
Além do ateliê, Trinca desenvolveu uma oficina livre de arte em mosaico com cerâmica dentro do centro acadêmico da FATEC-SP / ETESP, abrindo a técnica para alunos que nunca tinham encostado num caco de cerâmica.
"Cada peça em mosaico traz personalidade. Evoluir faz parte do corre — e nada que vale a pena é fácil."